Foi uma das semanas mais quentes no que diz respeito a queixas relacionadas com a arbitragem. Num contexto em que se realizam cerca de 21 jogos por jornada, é natural que surjam erros, até porque o volume de partidas é elevado. Curiosamente, neste nível competitivo, os lances acabam por ser muitas vezes mais escrutinados do que na própria 2.ª Liga do futebol profissional.

É, por isso, normal que existam decisões discutíveis. Muitos dos lances que surgem nas redes sociais nem sempre são claros ou evidentes, ficando a análise dependente do critério do árbitro, que pode, em determinados momentos, beneficiar a equipa que ataca ou proteger quem defende.

Analisando alguns dos casos mais falados:

No jogo do Oliveira, há um lance em que é reclamada mão na área do Bastuço S. João. No entanto, pelas imagens disponíveis, parece claro.

Outro momento de dúvida surgiu em Airó, no golo do Leocadenses. As imagens não permitem confirmar de forma inequívoca se a bola ultrapassou totalmente a linha de baliza. O árbitro validou o golo, mas, caso tivesse decidido em sentido contrário, também seria uma decisão aceitável.

No encontro entre GDR Campo e Leocadenses, houve três lances na área que geraram contestação. Num deles, é reclamado penálti sobre Platiny, mas, na nossa análise, não existem fundamentos suficientes para a marcação da grande penalidade.

Já no lance em que o guarda-redes do GDR Campo e um jogador do Leocadenses disputam a bola , com o atleta da casa a sair lesionado, da posição em que nos encontrávamos não foi possível uma avaliação conclusiva. Ficou a ideia de que, após o choque, a bola seguiu na direção da baliza. Na dúvida, o árbitro mandou seguir, decisão que se aceita, tal como se aceitaria a marcação de penálti.

Por fim, num remate de Postiga, a bola poderá ter tocado no braço ou mão de um jogador do GDR Campo. Ainda assim, o lance não foi claro nem evidente, pelo que o árbitro optou, uma vez mais, por nada assinalar.

Este tipo de situações leva inevitavelmente à comparação com o futebol profissional, onde, mesmo com VAR, continuam a existir lances claros que passam sem punição. Muitos destes casos seriam considerados “lances de VAR”, o que demonstra que a dúvida faz sempre parte do jogo.

Diferente será a questão disciplinar, quando há árbitros que recorrem excessivamente a cartões ou expulsões aí já se pode falar de falta de critério ou excesso de zelo.