A 24 de abril de 2001, foi celebrado um acordo entre três partes: a Câmara Municipal de Barcelos, o Núcleo Desportivo “Os Andorinhas” e a empresa Seguimóveis Imobiliária LDA.

Neste acordo, a empresa compromete-se a doar um terreno para a construção do novo complexo desportivo do clube, o que aconteceu logo em 2001, e a Câmara Municipal compromete-se a,” no prazo de 30 meses a contar da data do acordo, elaborar e aprovar os projetos, bem como executar, a suas custas, as obras de construção de um campo de futebol, um campo polivalente e respetivas infraestruturas de apoio à prática desportiva, equivalentes às atuais.” Caso o plano urbanístico não fosse aprovado, a Câmara comprometia-se a ceder gratuitamente ao clube um outro terreno de iguais dimensões (20 mil metros quadrados) na freguesia de Arcozelo e a realizar as respetivas obras no mesmo prazo de 30 meses. No entanto, já passaram 24 anos e nada foi concretizado.

Este acordo resultou de uma ação judicial, em que a Seguimóveis reivindicava a propriedade do terreno onde está situado o complexo desportivo do Núcleo Desportivo “Os Andorinhas”. O Clube defendeu-se com a declaração de que os terrenos tinham sido doados pelo Dr. Meira Ramos verbalmente. A Câmara Municipal de Barcelos interferiu, já que projetava para o local novas infraestruturas viárias.

Os atuais órgãos sociais do Clube foram eleitos em Setembro de 2024 e ao iniciarem o processo para a colocação do relvado sintético foram confrontados com este processo legal, que lhes era desconhecido.

O atual presidente do clube, Nélson Gonçalves, ficou estupefacto ao encontrar este documento.

As instalações atuais continuam em degradação, como denunciado pelo clube numa publicação no Facebook: "Desde a assinatura do acordo judicial de 2001, que as instalações utilizadas pelo clube não são alvo de qualquer obra e a sua degradação é cada vez maior. O mau tempo voltou a fazer das suas e o telhado do edifício-sede partiu-se, provocando a sua inundação. Hoje foi dia de reparação."

O Clube que formou milhares de jovens Barcelenses, vários com carreiras profissionais encontra-se, pela primeira vez na sua longa história, sem qualquer equipa de formação em competição.

O que se percebe é que o acordo judicial assinado há mais de duas décadas continua por cumprir, e um projeto imobiliário de vários milhões de euros se projeta para as atuais instalações do clube, colocando o futuro do Núcleo Desportivo “Os Andorinhas” ainda em maior risco.